Os países-membros da União Europeia (UE) aprovaram nesta sexta-feira (9) o acordo comercial com o Mercosul, abrindo oficialmente caminho para a assinatura do tratado entre os dois blocos após mais de 25 anos de negociações. A decisão foi tomada em reunião de embaixadores dos 27 Estados-membros em Bruxelas, apesar da resistência de alguns governos, especialmente da França.
Representantes diplomáticos confirmaram que a maioria necessária para liberar o acordo foi alcançada e que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve viajar ao Paraguai na próxima segunda-feira (12) para a cerimônia de assinatura com os líderes do Mercosul — que reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
O que diz o acordo Mercosul-União Europeia
O tratado estabelece uma zona de livre comércio ampla, com redução ou eliminação de tarifas sobre a maioria dos produtos negociados entre a UE e os países do Mercosul. Especialistas europeus afirmam que isso pode criar uma área comercial com cerca de 722 milhões de consumidores e movimentar trilhões de dólares em comércio anual.
A proposta também inclui mecanismos de monitoramento de questões como meio ambiente, sustentabilidade e normas sanitárias, itens que foram alvo de intensos debates nos últimos meses.
Resistência da França pode ser um problema no futuro
A aprovação não foi unânime. Países como França, Irlanda e Polônia manifestaram oposição ou reservas ao texto, citando preocupações com a competitividade da agricultura local e padrões ambientais. Protestos de agricultores ocorreram nos últimos dias em capitais europeias, com bloqueios e manifestações contra a abertura do mercado.
Mesmo assim, governos como Itália, Alemanha e Espanha pressionaram pelo aval ao acordo, ressaltando sua importância estratégica para ampliar mercados e reduzir a dependência de blocos econômicos externos, como os Estados Unidos e a China.
Com a aprovação pelos Estados-membros, o texto segue para formalização, e a assinatura prevista para 12 de janeiro em Assunção (Paraguai) deve consolidar o pacto oficialmente. Após a assinatura, o acordo ainda precisará ser ratificado pelos parlamentos dos países envolvidos antes de entrar em vigor.
A expectativa entre analistas é que o tratado represente um dos maiores acordos de livre comércio do mundo, impactando setores como indústria, serviços, agricultura e cadeias de suprimentos em ambos os lados do Atlântico.
Acordo perdurou por 25 anos
As negociações entre UE e Mercosul começaram no final dos anos 1990 e enfrentaram longas disputas políticas e técnicas, em particular sobre regras ambientais e sanitárias. Ao longo dos anos, o acordo passou por várias revisões e adiamentos, com resistências internas em diferentes países europeus e também por preocupações relacionadas ao desmatamento e padrões de produção no Mercosul.