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O Terminal Logístico de Iguatu chegou! E agora?

O Terminal Logístico de Iguatu é só o começo: planejamento e decisões vão definir o futuro econômico da cidade.

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Após um longo período de incertezas, audiências públicas, brigas e articulações, Iguatu finalmente vai mesmo receber um Terminal Logístico ligado à Transnordestina. Tida como a cidade mais bem posicionada geograficamente no sertão nordestino para receber esse tipo de equipamento, segundo a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a região quase perdeu o centro logístico e viu um sonho antigo quase escapar.

Felizmente, esse episódio ficou no passado e o Centro-Sul cearense se prepara para receber um moderno complexo logístico, feito pelas mãos de grandes empresários iguatuenses e que já possui 60% de suas obras concluídas. Com certeza, não poderia ser melhor.

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Aliás, Iguatu tem esse histórico de ser resistência e de se desenvolver mesmo em meio às mais diversas circunstâncias impostas pelo tempo e pela política. Foi daqui, por exemplo, que saiu uma das maiores empresas de varejo do Brasil.

Mas, e agora? O que fazer?

Agora que a parada intermodal já é uma realidade, o que Iguatu precisa fazer para potencializar o mercado local e se consolidar como um dos grandes centros logísticos do Nordeste?

A resposta para essa pergunta não é tão simples. É preciso avançar em questões internas, organizar a casa e ir ao mercado. Eu explico abaixo.

É necessário criar o Plano de Atração de Investimentos de Iguatu – PAI

Em Iguatu, é comum que, a cada nova obra, ação ou empresa que se instala na cidade, as pessoas busquem saber quem foi o político “pai” que fez aquilo acontecer. Ou seja, tudo acaba se resumindo à politicagem.

Isso precisa acabar e dar lugar a um ambicioso Plano de Atração de Investimentos, que contemple uma amostra real das potencialidades de Iguatu e do Terminal Logístico. No que somos bons? Quais setores Iguatu tem vocação para desenvolver? Esse plano precisa responder a essas perguntas e ser, de fato, o PAI que a cidade precisa.

Dentro dessa grande esfera, há um segundo eixo fundamental, que é a Lei de Atração de Investimentos. É vital reformular a política econômica do município, de modo que ela impulsione o desenvolvimento econômico e não apenas conceda incentivos. Faz-se necessário avançar em alguns pontos centrais: definir setores prioritários para receber benefícios, vincular os incentivos a resultados claros e mensuráveis, valorizar a qualidade dos empregos gerados, criar um canal institucional ágil para atendimento ao investidor e fortalecer o papel estratégico do Conselho de Desenvolvimento Econômico.

Com esses ajustes, a lei deixa de ser apenas um instrumento formal de concessão de incentivos e passa a atuar como uma política pública capaz de orientar investimentos, gerar empregos de melhor qualidade e promover o crescimento sustentável do município.

Novo Complexo Industrial e Logístico de Iguatu

O Terminal Logístico não pode — e não deve — ser visto como uma obra isolada. Ele precisa ser o ponto de partida para algo maior. Um equipamento desse porte só cumpre seu papel quando passa a organizar o território ao seu redor e induzir novos investimentos

Se Iguatu quer, de fato, se consolidar como um polo logístico do interior do Ceará, é fundamental pensar além dos trilhos e da movimentação de cargas. É preciso transformar o entorno do Terminal em um Complexo Industrial e Logístico planejado, capaz de receber empresas, gerar empregos e ampliar a arrecadação do município.

Caso contrário, corremos o risco de ter um grande ativo logístico funcionando apenas como ponto de passagem, sem que a riqueza produzida fique na cidade.

Ok, mas como fazer isso?

O primeiro passo prático é simples de entender, mas exige decisão política: delimitar uma área específica, anexa ao Terminal Logístico, destinada exclusivamente à instalação de empresas.

Essa zona precisa ser formalizada em lei, integrada ao planejamento urbano e pensada para oferecer segurança jurídica aos investidores. Empresas não se instalam onde há improviso, conflitos fundiários ou regras pouco claras.

Além dos incentivos fiscais, essa área deve contar com regras ambientais objetivas e processos de licenciamento ágeis e prioridade em investimentos de infraestrutura.

Formar pessoas para ocupar as oportunidades

Nenhum projeto de desenvolvimento econômico se sustenta sem pessoas qualificadas. A chegada do Terminal Logístico e a criação de um complexo industrial exigem um esforço paralelo e igualmente importante: preparar os iguatuenses para esse novo cenário.

Não faz sentido atrair empresas se os melhores empregos acabam sendo ocupados por trabalhadores de fora. O desenvolvimento só é completo quando gera oportunidades reais para quem vive aqui.

Por isso, é fundamental estimular a abertura de novos cursos técnicos e superiores em áreas estratégicas, em parceria com instituições de ensino, setor produtivo e governos estadual e federal.

Antes de ampliar a oferta de cursos, o município precisa responder a uma pergunta básica: quais tipos de empresas podem se instalar em Iguatu a partir do Terminal Logístico?

Logística, armazenagem, agroindústria, comércio atacadista, beneficiamento de produtos agrícolas, indústria leve e serviços de apoio ao transporte são alguns exemplos claros.

A necessidade de uma Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico

Iguatu já teve Secretaria de Desenvolvimento Econômico. O problema não foi a existência da estrutura, mas a forma como ela foi tratada ao longo do tempo.

Em diferentes administrações, a secretaria acabou sendo esvaziada, usada apenas de forma protocolar ou limitada a ações pontuais. O resultado disso foi um custo alto para a cidade: oportunidades perdidas, empresas que poderiam ter se instalado aqui e um atraso no processo de diversificação econômica do município.

Desenvolvimento econômico não acontece por inércia. Exige constância, visão de longo prazo e capacidade técnica. Quando isso não existe, a cidade paga o preço — e Iguatu pagou caro por não ter aproveitado, no momento certo, uma estrutura que poderia ter preparado o município para ciclos de crescimento anteriores.

Agora, com a chegada do Terminal Logístico, repetir esse erro seria imperdoável.

Iguatu precisa de uma Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico forte, técnica e estratégica. Um órgão que esteja ao lado do empreendedor local, ajudando quem já investe na cidade, mas que também saiba olhar para fora, apresentar Iguatu ao mercado e buscar investidores dispostos a se instalar aqui, aproveitando todas as vantagens que o município pode oferecer.

O Terminal Logístico é uma oportunidade histórica. Cabe à gestão pública decidir se vai tratá-lo como mais um capítulo isolado ou como o início de um novo projeto de desenvolvimento econômico para Iguatu.

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

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Escrito por
Mateus Nogueira

Formado em Administração, é colunista com atuação voltada à Administração, Economia e Desenvolvimento Regional. Seus textos analisam políticas públicas, gestão e estratégias de desenvolvimento, com foco na região Centro-Sul do Ceará, contribuindo para o debate qualificado sobre crescimento econômico, planejamento e fortalecimento do ambiente institucional.

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