A saída de Ciro Gomes do PDT parece cada vez mais iminente. Interlocutores próximos ao ex-ministro e ex-governador afirmam que a desfiliação de Ciro e de seu grupo político do Partido Democrático Trabalhista é apenas uma questão de tempo. Filiado à legenda desde 2015, Ciro já não se sente representado pelas atuais diretrizes do partido.
O estopim para o rompimento foi a decisão do PDT de retornar oficialmente à base de apoio do governador Elmano de Freitas (PT). Ciro e seus aliados defendiam uma postura de independência em relação ao governo estadual, mantendo a oposição ao PT, partido ao qual o grupo atribui a ruptura da aliança histórica entre as duas siglas no Ceará.
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O distanciamento político começou ainda em 2022, quando o PT, liderado por Camilo Santana, então governador, optou por lançar Elmano de Freitas ao Palácio da Abolição, deixando de lado o nome de Roberto Cláudio, indicado por Ciro. Desde então, o ex-ministro tem sido um dos principais críticos da gestão petista no Ceará, afirmando, em diversas ocasiões, que foi traído por antigos aliados.
Conversas avançadas com o PSDB
Neste novo cenário, Ciro Gomes tem fortalecido laços com o ex-senador Tasso Jereissati (PSDB), com quem mantém uma relação histórica desde os tempos em que ambos governaram o Estado. Tasso tem feito gestos públicos e privados para trazer Ciro ao PSDB. Segundo informações do jornal Correio Diário, os dois voltaram a conversar nos últimos dias e a filiação de Ciro ao partido tucano é dada como cada vez mais provável.
Fontes ouvidas pelo Panorama Ceará revelam que, caso a filiação se concretize, Ciro teria o comando da legenda no Estado e carta branca para escolher se disputa o Governo do Ceará ou a Presidência da República em 2026. Internamente, a opção por uma candidatura ao Governo tem agradado mais ao ex-ministro.
No campo da oposição, a possível candidatura de Ciro ao Governo já ganha força. PL e União Brasil, que hoje lideram a bancada oposicionista, têm defendido a construção de uma chapa unificada para o Palácio da Abolição. Nomes como Roberto Cláudio e Capitão Wagner seguem sendo cogitados, mas ambos já sinalizaram disposição para abrir mão da cabeça de chapa em favor de Ciro, caso isso garanta a unidade do grupo.